11 dezembro 2006

Um post especial


Este é um post especial porque dois anos de namoro cheios de coisas boas merecem ser comemorados e recordados.
Para ti namorado lindo: Obrigada por seres como és e pelos bons momentos que temos passados juntos nestes dois anos. Amo-te muito.
Aos que lêm o blog: Obrigado por partilharem estes bons momentos comigo.

P.S.- O relato da viagem continua brevemente.

04 dezembro 2006

Interrail - Parte 7: Noruega

Bem, ao ritmo de actualização de 15 em 15 dias, lá vou chegando ao fim da viagem. Esta será a penúltima parte da viagem.
Na manhã a seguir à chegada a Oslo decidimos gastar mais algum do nosso orçamento nos cartões turisticos para visitar Oslo e assim poupar algum em transportes e entradas de museus. Começamos por visitar o Viking Ship Museum. Confesso que estava entusiasmada por ver o museu, mas acabou por ser menos do que estava à espera. Acho que ficaria bem chateada por pagar 5 ou 6 euros para ver 4 salas... Felizmente que com o Oslo Pass não pagámos nada e assim até valeu a pena. Logo ali ao lado fica o Museu tradicional. Esse vale bem a pena visitar. Fizeram a reconstrução de consultórios de dentitas, farmácias, lojas, apartamentos, etc. ao longo dos tempos. Estão algumas pessoas a reconstituir profissões da época e são super simpáticas e prestáveis a explicar como tudo funcionava. Além disso, é possível ver a reconstituição das casas típicas de cada região da Noruega ao longo dos séculos. Há muito para ver e, como é ao ar livre, é uma visita muito agradável.


Nesse dia ainda visitamos o Munch Museum, que é pequeno e, quando nós fomos, ainda não tinha as obras mais conhecidas expostas (para quem não sabes, as obras foram roubadas à já algum tempo e foram recuperadas pouco tempo depois da nossa viagem, ou pelo menos uma delas foi). Visitamos ainda o castelo Akershus e o Nobel Peace Center. Vale a pena se tirarem o Pass, doutra forma.. não há muito para ver e as coisas na Noruega são caras. O que vale muito a pena visitar é o Vigeland Park e o Vigeland Museum. O Vigeland Park é um parque onde existem umas centenas de estátuas criadas pelo sr. Vigeland. O curioso do parque é que nenhuma das estátuas se repete, são todas únicas e representam as relações humanas. A mais conhecida é este rapaz de expressão furiosa.
No Vigeland Museum pode ver-se os estudos que o sr. Vigeland fez para as estátuas, incluindo reproduções à escala em gesso. Vale bem a pena.
Oslo por si só é interessante de se visitar, é uma cidade cheia de vida, inclusivamente à noite. Infelizmente não tivemos muito tempo para ver Oslo. A paragem seguinte foi feita no dia seguinte em Bergen. A viagem foi mais uma em comboio esgotado, infelizmente desta vez tivemos mesmo de ir no bar algum tempo. Os planos incluiam fazer um pequeno comboio turistico pelos Fjords a meio do caminho para Bergen, mas o tempo estava de chuva e nós achamos que não iria valer a pena o tempo e dinheiro investidos. A viagem até Bergen serviu para apreciarmos a paisagem norueguesa, bem diferente das planas Suécia e Filândia. As montanhas são uma constante, algumas cobertas de neve, cascatas de água caem pelas encostas e alimentam riachos de curso baixo e rápido. Só a viagem em si é fantástica. Aqui tivemos oportunidade de conhecer um norueguês que nos disse que o melhor da Noruega está no norte do país. Infelizmente, o norte não estava nos nossos planos e terá de ficar para próxima viagem.
Bergen é uma cidadezinha simpática, atulhada em turistas. Mas o passeio por Bergen explica o porquê de tantos turistas. As casinhas características do porto, as casinhas de Bryggen, património mundial, a vista do funicular, a igreja de madeira perdida no meio do campo.. tudo justifica. Bergen é daqueles sítios que se devem visitar e por isso aqui deixo umas fotos para abrir o apetite aos mais curiosos. As casinhas do porto são a imagem da cidade. Descobrimos também esta fantástica igreja, toda em madeira, no meio do campo (andamos imenso para lá chegar). Como se pode ver a vista do funicular é maravilhosa e vale bem o dinheiro da subida.

A ideia era ficarmos duas noites em Bergen, mas como estava tudo cheio tivemos de marcar hoteis diferentes. Já em Bergen descobrimos que a segunda noite tinha sido marcada para um hotel num Fjord a alguns quilómetros de Bergen. Fomos completamente enganados a marcar este hotel e tivemos de desmarcar e mudar os planos. Encurtamos a estada para dia e meio e a meio da tarde apanhámos o barco até Stavanger. São 4 horas de viagem pela costa norueguesa que dá bem para perceber que a costa é semeada com pequenas ilhas onde as pessoas têm casas, provavelmente de férias. Por esta altura os meus dentes começaram a doer e a tecer aquilo que seria o drama da viagem e que me provocaria os piores tempos de que me recordo. Felizmente o caminho já era de regresso.
Em Stavanger conhecemos um alemão que andava a fazer Interrail sozinho e que nos acompanhou durante parte da nossa viagem de comboio nocturna. A viagem levou-nos a Oslo novamente, onde passámos a manhã seguinte. A viagem serviu também para recebermos um presente da companhia de caminhos de ferro norueguesa que nos deu um kit para dormir: uma manta polar, tampões para os ouvidos, almofada insuflável e uma venda para os olhos. Foram muito simpáticos.
Passámos a manhã a passear pelas ruas perto da estação e apanhámos o comboio para Copenhaga, onde iriamos dormir. O regresso começa aqui...

18 novembro 2006

Interrail - Parte 6: Entre a Finlândia e a Noruega

Bem, mais uma vez me vi obrigada a uma ausência prolongada. Desta vez o post será a descrição do nosso percurso entre Helsínquia e a Noruega.
Saindo de Helsínquia, dirigimo-nos para a Região dos Lagos onde decidimos passar a tarde. Escolhemos a localidade de Lappeenranta, a primeira desta região. Esta é uma localidadezinha simpática, sem muito para ver. Destaca-se a bonita fortaleza onde foram mantidas algumas casa típicas (habitadas) e alguns lojinhas também típicas. A fortaleza estende-se até ao enorme lago. Na altura em que fomos estava a haver um concurso de esculturas na areia e descobrimos o representante luso. Confesso que não era das melhores...

Depois de uma tarde bem passada junto ao lago, apanhámos o comboio nocturno até Oulu, uma cidade junto ao Golfo de Bothnia, muito para norte em relação a Lappeenranta. A viagem foi feita num comboio sem compartimentos e portanto tivemos de dormir sentados, sem grandes alternativas de posição até porque o comboio ia cheio. O cansaço permitiu-nos dormir relativamente bem. Chegamos cedíssimo a Oulu, perto das 7h30 da manhã. Como é óbvio estava tudo fechado. A cidade, apesar de supostamente turística, não tinha muito a oferecer pelo que nos apercebemos pelos mapas. Passámos a manhã a conhecer o pouco que Oulu tem para oferecer e seguimos para Rovaniemi. Esta é uma localidade no norte da Finlândia sem muito movimento, mas bastante simpática. Aqui encontrámos muita hospitalidade e simpatia. Para minha alegria a cidade tem inúmeras lojas de souvenirs cheias de coisas maravilhosas. A vontade era trazer uma coisa de cada, mas infelizmente estavamos limitados de espaço e peso e tivemos de ter algum cuidado durante toda a viagem na escolha dos souvenirs para nós e para a família.
A 8km de Rovaniemi fica a Santa Claus Village onde, supostamente, vive o Pai Natal. Excusado será dizer que este é um local especial para as crianças e foi-nos dito qe durante o mês de Natal é quase impossível de lá ir devido ao elevado número de visitantes que recebem. Felizmente para nós estavamos em pleno Agosto e assim muito fácil de visitar. Na Santa Claus Village é sempre Natal. Todas as lojas estão enfeitadas como se fosse Natal. Achei que estava demasiado virado para o turismo, demasiadas lojas e aproveita-se para fazer dinheiro com tudo. Pedem 6 euros por uma carta verdadeira do Pai Natal, outros 5 para visitar a fábrica de brinquedos e até para ver o Pai Natal é preciso esperar na fila e o "ver" consiste em tirar uma foto com o Pai Natal que provavelmente se tem de comprar a seguir. Obviamente que dispensamos estas coisas e aproveitamos para visitar o que não se pagava. Percorremos todas as lojas, mas verificámos que as coisas eram mais caras que em Rovaniemi e deixamos as compras para mais tarde. Fomos até aos correios oficiais do Pai Natal e enviámos alguns postais às pessoas que me tinham pedido e à minha mãe. Arrependi-me de não ter colocado um para mim para ser recebido no dia de Natal. Convém dizer que são uns correios extremamente eficientes: dois dias depois e as pessoas já tinham recebido os postais.

Aproveitamos para saltar a linha do círculo Polar Ártico, como qualquer turista que lá vá e tirar muitas fotos. Aí está ela, a Linha do Círculo Polar Ártico e a placa com as direcções das principais capitais do mundo e respectivas distâncias (Lisboa não incluída).

O meu telémovel não deve ter gostado de passá-la porque deixou de ter toque a partir daí. Almoçámos numa cabaninha parecida com as dos índios, onde comemos salmão grelhado numa fogueira feita no meio da tenda, servido em cima de cascas de árvore (devidamente limpas, óbvio), com pão e uma éspecie de salada russa.
Foi uma manhã muito bem passada apesar de ter pena de não ter visto as renas do Pai Natal que supostamente deviam andar por ali. A tarde foi passada a visitar Rovaniemi e a fazer compras. O dia seguinte foi passado em viagem. Tivemos de apanhar comboio, 2 autocarros e finalmente outro comboio para chegar a Gällivare, uma cidade a norte da Suécia, a cidade mais a Norte que visitámos. Gällivare é conhecido pelas suas minas, umas das maiores da Europa e até mesmo do Mundo. Infelizmente não tivemos tempo para as visitar. Já chegámos perto das 19h e estávamos bastante cansados. Fomos super bem recebidos na pensão que tinhamos marcado. Rapidamente percebemos que era uma pensão familiar. Assim que chegámos foi-nos oferecido café ou chocolate quente. Pedimos que nos indicassem um supermercado pois o dia seguinte era de viagem também e precisavamos de comprar algumas coisas, além do jantar para essa noite. O dono explicou-nos que à aquela hora já não havia muita coisa aberta e prontificou-se a levar-nos ao supermercado mais próximo. Acabou por ser a mulher dele, uma sra. filipina, que nos levou e que esteve pacientemente à nossa espera no carro enquanto faziamos as compras.
Na manhã seguinte saimos cedo. O objectivo foi apanhar novamente o Inlandsbanan e fazer outro dos seus percursos, desta vez o dia todo. Desta vez conseguimos ver renas. Infelizmente não consegui fotografar nenhuma. Muita água, muitos lagos, muitos rios e ribeiros e muitas árvores. Parámos quando passámos a Linha do Círculo Polar Ártico, desta vez assinalada só por placares já que estávamos no meio do campo e recebemos uns diplomas pela passagem. Aproveitamos para experimentar mais alguns pratos típicos suecos: umas bolas de puré de batata recheadas com fiambre, rena novamente e um gelado com cobertura de um doce feito à base de cloudberry's, um fruto amarelo semelhante às amoras e com sabor parecido ao mel. A viagem foi feita na companhia de uma excursão de alemães que ao jantar largaram tudo para fotografar um comboio de carga absolutamente normal. Há gente estranha. Fui perseguida pelo comboio (estava tudo controlado) quando saímos para ver um rio.
A viagem acabou por se tornar cansativa por ser tanto tempo e concluímos que o primeiro percurso que fizemos foi o que gostamos mais. No final do dia estavamos novamente em Östersund aonde ficámos a dormir. No dia seguinte seguimos para a Noruega. O objectivo era chegar a Oslo. A viagem foi feita com as sobressaltos. Começou por achar que íamos de comboio e já estávamos na plataforma certa quando veio um sr. ter connosco e explicar-nos que afinal tinhamos de ir primeiro de autocarro. Mais tarde percebemos que parte da linha estava em obras e por isso tivemos de fazer parte do percurso de autocarro e só depois apanhar o comboio. Chegámos a Trondheim pensando que depois era só apanhar o comboio para Oslo depois de almoço. O único comboio do dia estava lotado! O preço para ir de autocarro era algo impensável e tinhamos hotel marcado para essa noite. Disseram-nos para falarmos com o condutor do comboio para saber se podiamos viajar mesmo assim. Com a neura nem quis ir ver a cidade. Apanhámos uma seca na estação. Felizmente o condutor era simpático e deixou-nos viajar na mesma, bem com a um grupo de rapazes de nuestros hermanos que estavam na mesma situação. A situação acabou por se tornar divertida porque cada vez que o condutor fazia um aviso pelo rádio acabava sempre a dizer que iam tentar ajudar todos os que não tivessem lugar a arranjar sítio onde ir. Felizmente fomos sempre sentados até porque os lugares não estavam ocupados a viagem toda. Com algumas mudanças a meio da viagem, fomos sempre confortavelmente instalados. Chegamos a Oslo já tarde, mas as ruas estavam apinhadas em gente. Oslo tem imensa vida à noite. O nosso hotel ficava na rua de esquina com o Hard Rock Café. Sabendo isto e vendo depois o quarto de hotel rapidamente concluimos que não iamos de certo pagar só os 73 euros por noite anunciados no site, mas resolvemos não pensar muito no assunto :p. A viagem por Oslo fica para o próximo post.

29 outubro 2006

Interrail - Parte 5: De Östersund a Helsínquia

Bem, após outra pausa prolongada devido à falta de tempo cá estou eu para continuar o relato da viagem.
Pouco passava da hora de jantar quando apanhamos o comboio em Östersund. A viagem ia ser curta pois tinhamos d mudar de comboio novamente por volta das 23h. Neste comboio conhecemos uma das personagens da viagem: uma rapaz alemão, com um inglês horrível e do qual eu não percebi muito, de óculos garrafais e que viajava unicamente em comboios nocturnos com uma mochila pouco maior do que a que a maioria dos miúdos usa na escola. O rapaz metia conversa com toda a gente, mas poucos percebiam o seu inglês misturado com alemão. O mais caricato é que insistia em que lhe dessem a morada, ainda que só conhecesse as pessoas à 5 minutos, esticando um caderno de escola e escrevinhando a dele num qualquer papel que tivesse no bolso (ainda estamos à espera que ele escreva...). No mesmo caderno coleccionava os carimbos das várias estações por onde passava. Confesso que nem me tinha ocorrido que as estações tinham carimbos quanto mais coleccioná-los... Trazia com ele uma máquina fotográfica ainda de rolo e um walkman (sim.. ele ainda usava os velhinhos walkman's). Conhecemos também a primeira "vítima" que este rapaz tinha feito quando chegou ao comboio, uma rapariga sueca de 25 anos que nos ensinou a pronunciar algumas palavras em sueco decentemente e nos falou um pouco dos seus conhecimentos dos povos nórdicos. Também tentou aprender algumas palavras em português, mas acho que ainda é mais dificil para eles aprender o português que nós aprendermos o sueco. No banco ao lado iam uns senhores de algum país ali da zona arábe que também tentaram entabular conversa connosco, mas o inglês deles também não era famoso...
A viagem estava a ser interessante, mas foi curta. Tivemos de mudar de comboio e o comboio seguinte deve ter sido o pior em condições que apanhámos. Aquilo parecia saido da Segunda Guerra Mundial... Os bancos rasgados, a cair de velhos, cheios de pó e nódoas, as portas dos compartimentos mal abriam de tal modo que tivemos dificuldade em entrar num. Em cima da mesinha do compartimento tinham uns pacotinhos com água que nós achamos melhor não experimentar. Sim, aquela gente bebe água em pacote e até mesmo em lata. É incrivel a variedade de águas com mais ou menos gás, com ou sem sabor que eles têm lá para cima. O comboio ia quase vazio e deu para esticarmos os saco-de-cama e dormir um bocado até às 3h da manhã. A esta hora tivemos de sair e ficar à espera na estação até às 5h30 por um autocarro que nos levasse até Umeå onde iriamos apanhar o barco para a Finlândia. Nessa noite não dormi muito como se pode constatar. À hora prevista lá apanhámos o autocarro. Chegados a Umeå tivemos de perguntar para onde era o porto dos barcos para a Finlândia e o motorista do autocarro apontou-nos outro autocarro parado no sentido oposto. Outro autocarro? Seria assim tão longe? Era! Incrivelmente longe! Não faço ideia por que raio fizeram um porto tão longe da cidade. Nova espera na estação dos barcos depois de gastarmos uma fortuna nos bilhetes de barco e jurarmos para nunca mais.
O barco foram 4 horas, algumas das quais a dormir, num barco cheio de motards. Já perto da hora de chegar, lembraram-se de anunciar que quem precisasse de táxi à chegada para ir avisar à cafetaria. Lá fui eu perguntar senão havia nenhum transporte sem ser táxi. Não havia... Qual é a ideia de construir uma estação de barcos e não colocar transportes? Eu sei que o barco também transporta carros, mas nem toda a gente ia de carro. Enfim, depois de gastarmos uma pequena fortuna estávamos finalmente em Vaasa, Finlândia. Nova espera na estação de comboios, onde aproveitamos para almoçar, e depois da hora de almoço apanhámos o comboio para Tampere, o nosso destino na Finlândia para essa noite.
Tampere é uma cidade não muito grande e é uma das mais importantes do país já que tem grande importância industrial. Pela cidade vêm-se várias chaminés de fábricas dando a entender a importância da parte industrial.

Quando chegamos estava a haver uma prova qualquer tipo triatlo no parque da cidade por onde passa o rio que se vê na foto. A cidade é muita gira e tivemos pena de não ter muito tempo para a ver melhor. Aqui descobrimos rapidamente o gosto pela bebida dos finlandeses. É frequente andarmos pela rua e vermos pessoas com pack's de cervejas ou pessoas sentadas a beber junto dos lagos ou jardins. E começam desde muito novos... Felizmente não incomodam ninguém e são um povo afável. Na tarde do dia seguinte seguimos para Helsínquia.

Helsínquia é uma cidade linda. Adorámos. A mistura de culturas é óbvia em toda a cidade. A cidade sofreu um grande incêndia por volta de 1800, altura em que estava sobre o domínio russo, e foi reconstruída à semelhança de S. Petersburgo. Os edifícios com influência russa são uma constante. As próprias pessoas já têm alguns traços fisionómicos semelhantes aos russos. Existem várias lojas de souvenirs russos e vai-se à Rússia em pouco tempo de comboio. Após a independência dos russos houve um explosão de nacionalismo e tentaram criar uma cultura finlandesa. A maioria dos edifícos são novos e um paraíso para quem gosta de arquitectura. Em cima, na foto, é a Catedral da cidade. É um edifíco enorme e magnífico, um dos meus preferidos na cidade. Ao lado está a Catedral Ortodoxa, outro edifício maravilhoso onde se pode ver a influência russa. As pessoas são super simpáticas. Houve um sr. que nos viu às voltas com o mapa e parou para nos ajudar sem que nós pedirmos. Fomos bem recebidos em todo o lado. Nem toda a gente fala o inglês, mas mesmo falando pouco mostram-se sempre prestáveis e tentam perceber e ajudar. A cidade tem um excelente sistema de transporte que nós fizemos questão de aproveitar. Tem um eléctrico que, além de fazer parte do sistema de transporte da cidade, é também turistico, parando nos pontos de interesse principais da cidade. Como Helsínquia é grande usamos bastante este transporte. Há muita coisa para ver na cidade. Gostámos particularmente das Catedrais, do monumento ao Sibelius (compositor finlandês) e da Igreja feita no meio da rocha (foto em baixo). Esta última é uma Igreja construída na rocha e, como se pode ver pela foto, o interior é todo em rocha. Vista de fora confunde-se com a paisagem e por dentro é muito simples, muita mais parecida com aquilo que eu acho que deviam ser as igrejas.

Helsínquia é de facto uma cidade a voltar e conhecer melhor. Depois de dois dias na cidade decidimos seguir viagem. A continuação fica para o próximo post.

05 outubro 2006

Interrail - Parte 4: Inlandsbanan entre Mora e Östersund

Após uma longa interrupção lá consegui arranjar tempo para continuar o relato da viagem. Como prometido vou explicar o que é o Inlandsbanan.
À alguns anos, a linha de comboio que percorre o interior da Suécia teve de ser fechada por falta de utentes. A companhia responsável pela linha vendeu-a aos municípios pelos quais a linha passava. Estes decidiram manter a linha, utilizando para tráfico de comboios de mercadoria e criaram o Inlandsbanan. O Inlandsbanan é um comboio turistico, com uma ou duas carruagens, que percorre a linha. Esta foi dividida em três percursos que podem ser feitos em dois ou três dias, se se fizer os os percursos por inteiro, ou no tempo que se quiser se se optar por ir saindo nalgumas das paragens que o comboio faz para se aproveitar e conhecer melhor as terras por onde o comboio passa. O interessante é, não só o magnífico percurso, como o facto de sermos acompanhados por um/uma guia que nos vai explicando o que se vai vendo e dando informações sobre as terras e regiões por onde o comboio passa. O comboio faz algumas paragens, ora para ver alguma coisa que o guia acha interessante, ora para comer alguns pratos ou doces típicos.

Nós começamos por fazer o percurso entre Mora e Östersund. Às 7h15 da manhã já nós estavamos a apanhar o comboio. Neste percurso fomos acompanhos por uma guia super simpática que nos forneceu imensa informação e que esteve sempre disponivel para nos retirar dúvidas.
A primeira paragem foi para ver uma toca de urso usada. Convém esclarecer que não há qualquer perigo pois, como nos foi explicado, cada toca é usada uma única vez. Além disso os ursos são animais tímidos que ouvem e cheiram muito bem, mantendo-se à distância.

A paragem seguinte foi para tomarmos o pequeno almoço. Parámos então numa antiga estação, que à semelhança da maioria das estações por onde o comboio passa, foi convertida em casa de habitação. Na estação esperáva-nos uma sra. com ar de avózinha e que vendia bolos de canela caseiros, café e chocolate quente. Tenho a dizer que os bolos eram uma maravilha.
Mais à frente fizemos nova paragem para descansar e esticar as pernas. Nesta estação esperáva-nos outra avózinha que se encontrava a vender artesanato. Foi-nos ainda possível ver algumas fotos de ursos que a sra. e o marido conseguiram tirar num raro encontro com ursos que passeavam na estrada.
O almoço foi escolhido com antecedência. À entrada no comboio é nos dado um menu onde podemos ver as paragens e o que há para comer em cada uma delas. Os almoços e jantares precisam de ser encomendados com antecedência. Nós optamos por experimentar rena e alce. Quando chegámos ao restaurante já tinhamos os pratos feitos e foi só pagar e comer. Qualquer um dos pratos estava delicioso, mas confesso que fiquei satisfeita por ter escolhido a rena porque me agradou mais. Foi uma excelente forma de experimentar pratos típicos e nem foi muito caro. Doutra forma seria díficil experimentarmos pratos típicos porque há muito poucos restaurantes nas cidades e os que há são extremamente caros. Isto deve-se à falta de hábito que estes povos têm de ir comer fora.
Perto das 14h estavamos em Östersund. Adorámos a viagem e replaneamos a nossa viagem de forma a mais tarde pudermos fazer mais um dos três percursos do Inlandsbanan. Ao contrário do ques estavamos à espera, não vimos renas. No entanto, foi uma óptima forma de conhecer a parte mais natural da Suécia. Deparámo-nos com um país cheio de lagos, rios e árvores. Östersund fica à beira de um enorme lago. Estava imenso calor e tivemos pena de não saber se podiamos tomar banho. Acabámos por nos dirigir até à cidade e passámos a tarde a ver lojas, já que pouco mais à para ver. À noite seguimos para a Finlândia, mas isso fica para o próximo post.